O paciente 21 está com um humor deprimido, sente-se triste, desanimado, e esse sentimento é profundo, enraizado, como uma cicatriz invisível mas dolorosa. Já não retira o mesmo prazer das coisas que faz e perdeu o interesse nas coisas mais simples e elementares da vida, como por exemplo viver.
Tem problemas em adormecer, e por vezes quando finalmente consegue adormecer acorda pouco tempo depois. O paciente 21 perdeu a esperança em ficar melhor, em conquistar terreno, em propor metas para si próprio, em lutar contra a adversidade.
Não se inscreve no futuro, para ele o tempo parou, o seu tempo parou, a sua mente também parece estar parada. Todo o tempo que vive está dobrado, encarquilhado, bisonho, não sorri. O paciente 21 perdeu o apetite pela vida, perdeu literalmente o apetite, perdeu peso e nada tem o mesmo peso que tinha. Sobrevive apenas, mantém-se vivo, mas sente-se culpado e carrega o peso de todas as escolhas que fez. O paciente 21 desvaloriza-se a ele próprio, não precisa de ninguém para o fazer, fá-lo automaticamente. Deseja que este sofrimento acabe, pensa em sair desta situação, pensa em desistir totalmente, pensa em morrer. Mas afoga-se na indecisão, arrasta-se lentamente pelo espaço físico, através do seu espaço físico, faltam-lhe as forças para ter força, está cansado e sem energia. O paciente 21 é a imagem mais comum de uma enfermidade que se alastra século adentro, fruto de uma sociedade também ela sem apetite, inscrita num futuro longinquo, tecnológica, artificial, que não deixa tempo nenhum para respirar e viver o momento, aqui e agora.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
O post zero
Começo hoje uma nova forma de expressão através da blogosfera. Inicio este espaço de reflexão, com o intuito de aprofundar os meus conhecimentos de Psicologia e ao mesmo tempo reflectir dialecticamente sobre vários temas que enriquecem o já de si vasto Universo desta disciplina. As àreas temáticas são variadas, indo desde a corrente humanista, passando pelo misticismo oriental, religião, filosofia, tudo o que diga respeito ao processo de personalização do homem e o seu papel na criação das suas mitologias.
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