sexta-feira, 18 de abril de 2014

A abordagem P.E.R.M.A.: a chave do bem estar

"As doenças são o resultado não só dos nossos actos mas também dos nossos pensamentos."


Ghandi


Esta citação poderosa encerra uma verdade fundamental e que influi decisivamente na forma como a vida se vai desenrolando individual e colectivamente. Na medida em que somos definidos pelo que fazemos e os nossos comportamentos são animados pelos nossos pensamentos, esta díade pensamento/acção é o motor fundamental de todos os processos conhecidos. Seja na saúde ou na doença, precisamos de agir em função de conclusões, deduções, ideias, imagens e atitudes, sejam elas preventivas, construtivas ou destrutivas. Martin Seligman, psicólogo americano e co-fundador da APA (American Psychological Association) chegou à conclusão, depois de anos a tratar pacientes, que os psicólogos e psiquiatras davam muita importância à doença, ao diagnóstico e negligenciavam as partes mais saudáveis do ser humano, aquelas que nos permitem ter esperança, sorrir, as chamadas partes positivas. Desenvolveu a chamada Psicologia positiva, com o intuito de estudar quais são os mecanismos e atitudes que estão envolvidas na criação de bem estar e de uma atitude positiva na vida. Concluiu que são 5 os factores decisivos para a criação de valor acrescentado na vida e juntou-as num acrónimo denominado P.E.R.M.A..

O P significa Positive Emotions: 

Seligman postula que para experienciarmos um estado de bem estar precisamos de cultivar emoções positivas e uma atitude mental positiva. Gratidão, amor, paz, satisfação fazem parte do leque a que ele chama de emoções positivas. A mensagem inerente é que é importante desfrutar da vida, aqui e agora, enquanto os outros elementos PERMA estão activos e em linha de conta. Exercitar estas emoções é a garantia que estamos atentos aos nossos processos, à forma como vivemos e como interagimos com o mundo, em suma é reflexo da nossa importância e responsabilidade na co-criação do mundo, sociedade e habitat onde vivemos.

O E significa Engagement:

Quando estamos envolvidos e comprometidos numa tarefa, num projecto, numa situação que requer a nossa atenção e envolvimento, experimentamos a chamada sensação de "fluxo".
O tempo parece abrandar ou mesmo parar, concentramo-nos intensamente no momento presente, parece que nos perdemos e fundimo-nos na tarefa que estamos a desempenhar. Invariávelmente, esta sensação é agradável. Quanto mais experienciarmos este tipo de envolvimento mais provável é o aparecimento de uma sensação de bem estar.

O R significa Relations (Positive Relations):

Somos seres sociais. Necessitamos de vínculos. As relações saudáveis são o núcleo do nosso bem estar. É frequente percebermos que as pessoas que mantêm e cultivam relações significativas e saudáveis dentro da sua rede social são mais felizes e aparentam ter um nível de bem estar maior do que as outras, que por motivos diversos, não o fazem. As relações significativas são essenciais no processo de descoberta da verdadeira felicidade e bem estar.

O M significa Meaning:

Quando sentimos que estamos a fazer a diferença ou que somos importantes e úteis, quando servimos uma causa que seja maior do que nós, experimentamos esta sensação de significado nas nossas vidas, de que vale a pena estar vivo e fazer parte desta comunidade. Este sentimento surge sempre que estamos envolvidos neste tipo de acções, por isso a proposta deste modelo é mesmo essa: Fazer com que este envolvimento seja parte das nossas vidas, proporcionando bem estar a nós e aos outros. Altruísmo como forma de atingir o bem estar e a felicidade.

O A significa Accomplishment:

Muitos de nós tentamos e esforçamo-nos em melhorar as nossas capacidades de alguma forma, seja a tentar aperfeiçoar uma capacidade ou competência, alcançar um objectivo ou ganhar alguma competição, sermos melhores naquilo que decidimos que é importante para nós. Assim sendo, esta sensação de realização e de dever cumprido, a conquista de objectivos considerados importantes é mais um importante aspecto para a formação de bem estar e para a nossa capacidade de desabrochar. Estas são as componentes. segundo este modelo, para a criação de uma sensação de bem estar permanente nas nossas vidas. Ao procurá-las, ao ter consciência delas, ao cultivá-las, estamos não só a contribuir para o nosso próprio crescimento como para a transformação da sociedade e das comunidade onde vivemos. Operar as mudanças necessárias para que estas valências sejam cada vez mais espontâneas é um processo que pode ser começado em qualquer altura da vida e em qualquer etapa do caminho. Ficamos com uma ideia concreta do que é preciso fazer e temos em mãos uma abordagem prática que não exige muito mais do que vontade de mudar.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Atitude preventiva da Depressão: Ser positivo

A felicidade é produtiva, é espontânea a gerar produtividade. Quando estamos felizes conseguimos edificar relações significativas com aqueles que nos rodeiam e sentimo-nos bem. Aliás, muito bem. Contudo, a felicidade é díficil de atingir, de prender como estado permanente, de gerir e acima de tudo, de saber gerar; corremos o risco de nos sentirmos insatisfeitos e não realizados se nos focarmos demasiado na obtenção da mesma. O proverbial pau de dois bicos. Para experienciar um estado de felicidade e bem estar, precisamos de emoções positivas nas nossas vidas. O que são emoções positivas e, mais importante, como cultivá-las para que sejam espontâneas e frequentes?
As emoções que são denominadas de positivas são aquelas, que entre todas as outras, geram bem estar e auxiliam a construção e manutenção de uma estrutura orgânica positiva e uma atitude mental equivalente. Gratidão, satisfação, paz, prazer, inspiração, esperança, curiosidade, e amor pertencem por direito próprio a esta categoria. Nem todas podem ser consideradas emoções, mas todas elas brotam de um estado emocional específico, sendo ou não as suas presidentes. A atitude mental é frequentemente um palco imóvel, inamovível, vazio e onde a acção é silenciosa e insidiosa. Temos formas e formatos que nos escapam à consciência, o que nos leva a concluir que as consequências de certa forma de estar e de agir estão fora do nosso alcance, logo fora do nosso controlo. Sabemos quais os efeitos que esta forma de reacção transporta; por um lado a desresponsabilização e a entrega dos destinos do nosso destino a mãos mais fortes e decisivas que as nossas, e, por outro, a sensação de impotência para inverter o rumo dos acontecimentos que está sempre presente no horizonte de um quadro depressivo. Invariavelmente, a auto-estima sai em baixa e vamos a correr comprar decisões e soluções rápidas. Esquecemo-nos que o conteúdo do que pensamos, sentimos e fazemos é em larga medida decidido por nós. Para construir uma atitude mental positiva é preciso, primeiro que tudo, coragem. Coragem para decidir o que queremos ser e o que queremos que faça parte do nosso universo e campo relacional. Somos seres sociais e a relação mais duradoura que temos é connosco, com o nosso perimundo, com o nosso interior, com as nossas acções, com as nossas reacções, com a nossa complexidade, com a nossa simplicidade, com os nossos desejos, com as nossas aversões, com as nossas pessoas e com as imagens que temos de tudo isto que acabo de listar. Não é fácil decidir, ainda por cima numa altura que o excesso de escolhas que se nos apresentam diáriamente contribui para uma maior confusão e paralisia. Ter um foco, primeiro passo, passo essencial. Ter um foco implica ter um pensamento claro e definido, atento. Desligarmo-nos de todas as imagens parasitas e virais que nos ocupam a lucidez é de extrema importância. E como é que se pode chegar a este estado? Através do foco. Procurar ver as oportunidades de crescimento nas situações, as sementes do benefício. Cultivar este tipo de atitude é apenas o princípio que regula todas as outras etapas. Temos de ter sempre presente que a mudança de atitude começa e acaba sempre no conhecimento que temos de nós próprios, quais as coisas que queremos e não dizemos em volta alta e todas as outras que não queremos mas que continuam a falar com a nossa voz.