"As doenças são o resultado não só dos nossos actos mas também dos nossos pensamentos."
Ghandi
Esta citação poderosa encerra uma verdade fundamental e que influi decisivamente na forma como a vida se vai desenrolando individual e colectivamente. Na medida em que somos definidos pelo que fazemos e os nossos comportamentos são animados pelos nossos pensamentos, esta díade pensamento/acção é o motor fundamental de todos os processos conhecidos. Seja na saúde ou na doença, precisamos de agir em função de conclusões, deduções, ideias, imagens e atitudes, sejam elas preventivas, construtivas ou destrutivas. Martin Seligman, psicólogo americano e co-fundador da APA (American Psychological Association) chegou à conclusão, depois de anos a tratar pacientes, que os psicólogos e psiquiatras davam muita importância à doença, ao diagnóstico e negligenciavam as partes mais saudáveis do ser humano, aquelas que nos permitem ter esperança, sorrir, as chamadas partes positivas. Desenvolveu a chamada Psicologia positiva, com o intuito de estudar quais são os mecanismos e atitudes que estão envolvidas na criação de bem estar e de uma atitude positiva na vida. Concluiu que são 5 os factores decisivos para a criação de valor acrescentado na vida e juntou-as num acrónimo denominado P.E.R.M.A..
O P significa Positive Emotions:
Seligman postula que para experienciarmos um estado de bem estar precisamos de cultivar emoções positivas e uma atitude mental positiva. Gratidão, amor, paz, satisfação fazem parte do leque a que ele chama de emoções positivas. A mensagem inerente é que é importante desfrutar da vida, aqui e agora, enquanto os outros elementos PERMA estão activos e em linha de conta. Exercitar estas emoções é a garantia que estamos atentos aos nossos processos, à forma como vivemos e como interagimos com o mundo, em suma é reflexo da nossa importância e responsabilidade na co-criação do mundo, sociedade e habitat onde vivemos.
O E significa Engagement:
Quando estamos envolvidos e comprometidos numa tarefa, num projecto, numa situação que requer a nossa atenção e envolvimento, experimentamos a chamada sensação de "fluxo".
O tempo parece abrandar ou mesmo parar, concentramo-nos intensamente no momento presente, parece que nos perdemos e fundimo-nos na tarefa que estamos a desempenhar. Invariávelmente, esta sensação é agradável. Quanto mais experienciarmos este tipo de envolvimento mais provável é o aparecimento de uma sensação de bem estar.
O R significa Relations (Positive Relations):
Somos seres sociais. Necessitamos de vínculos. As relações saudáveis são o núcleo do nosso bem estar. É frequente percebermos que as pessoas que mantêm e cultivam relações significativas e saudáveis dentro da sua rede social são mais felizes e aparentam ter um nível de bem estar maior do que as outras, que por motivos diversos, não o fazem. As relações significativas são essenciais no processo de descoberta da verdadeira felicidade e bem estar.
O M significa Meaning:
Quando sentimos que estamos a fazer a diferença ou que somos importantes e úteis, quando servimos uma causa que seja maior do que nós, experimentamos esta sensação de significado nas nossas vidas, de que vale a pena estar vivo e fazer parte desta comunidade. Este sentimento surge sempre que estamos envolvidos neste tipo de acções, por isso a proposta deste modelo é mesmo essa: Fazer com que este envolvimento seja parte das nossas vidas, proporcionando bem estar a nós e aos outros. Altruísmo como forma de atingir o bem estar e a felicidade.
O A significa Accomplishment:
Muitos de nós tentamos e esforçamo-nos em melhorar as nossas capacidades de alguma forma, seja a tentar aperfeiçoar uma capacidade ou competência, alcançar um objectivo ou ganhar alguma competição, sermos melhores naquilo que decidimos que é importante para nós. Assim sendo, esta sensação de realização e de dever cumprido, a conquista de objectivos considerados importantes é mais um importante aspecto para a formação de bem estar e para a nossa capacidade de desabrochar. Estas são as componentes. segundo este modelo, para a criação de uma sensação de bem estar permanente nas nossas vidas. Ao procurá-las, ao ter consciência delas, ao cultivá-las, estamos não só a contribuir para o nosso próprio crescimento como para a transformação da sociedade e das comunidade onde vivemos. Operar as mudanças necessárias para que estas valências sejam cada vez mais espontâneas é um processo que pode ser começado em qualquer altura da vida e em qualquer etapa do caminho. Ficamos com uma ideia concreta do que é preciso fazer e temos em mãos uma abordagem prática que não exige muito mais do que vontade de mudar.
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